O Rei da Jaula

Feriadão de Thanksgiving, uma pausa para fazer coisas mais amenas, como ir ao zoológico local. Mas como minha cabeça não pára de fritar nem que seja por um segundo, meu existencialismo caboclo entra em ebulição já na primeira amostra. Me pergunto que azar deve ter o flamingo que por ventura nasça odiando a cor rosa. Em seguida imagino a aporrinhação que tem que ser ficar esse tempo todo com um companheiro de jaula, digamos, incompatível. Nesse mesmo momento, o jacaré me olha como se quisesse dizer "Pô, nem me fale, esse outro deitado ao meu lado é o maior bundão...". O leopardo, por outro lado, parece ter um certo ar de nostalgia do tempo em que a velocidade e a astúcia eram o prelúdio para um almoço fresquinho, pingando de sangue. Talvez os zoológicos tenham esse lado melancólico justamente pela falta de Lei da Selva que nós, homens, parecemos querer tanto. Num sinal de que até a natureza está de gozação com a minha cara, descubro incrédulo que a própria Fossa está ameaçada de extinção. Enfim, talvez os ursos, as zebras, os leões, as girafas, os animais cujo nome desconheço e todo o resto da corte animal não se sintam tão conflituados assim com sua condição de quadros vivos. O ir e vir das tartarugas parece indicar uma certa felicidade, pelo menos.

